quinta-feira, 25 de março de 2010

Passeio no bosque - enquanto seu lobo não vinha

Foto de Aline Freitas Queirós

          Estava cuidando da minha vida lindamente, resolvendo umas pendências, muito bem acompanhada, num dos lugares mais charmosos e organizados da zona oeste: Vila Valqueire. Não sei se meus caros já tiveram o prazer de estar por lá, se não, deveriam, pois é um lugar charmoso, casas e prédios de bom gosto, ruas largas, um comércio bem servido, contando, inclusive, com um hospital de renome. Sem falar das galerias finas, casas de festas, as árvores fantásticas, importantes linhas rodoviárias, um luxo. Gosto até de dizer que é meu "Pequeno Leblon".
          Pois bem. Enquanto estava "passeando no bosque", na parte interna do bairro, tudo certo. Garis super atenciosos e prestativos, que interromperam o trabalho de recolhimento da poda das árvores, para que eu pudesse passar com o meu bebê sobrinho afilhado no colo, enquanto sua mãe preparava a sombrinha, para que pudéssemos caminhar até o ponto de ônibus mais próximo; pessoas idosas usando a mesma calçada e dando "bom dia!"...Verdadeiramente um pedacinho do Manuel Carlos.  Dava até para ouvir o "firifirififiu...firifirififiu...firifirififiu...firifirifiu." E aí jaz o divisor de águas.
          Como toda boa novela de Manoel Carlos, há de se ter o núcleo Helena - sofisticado, de bom gosto e muito educado, e o núcleo "crianças que não sabem o que diz", cheios de mal criações, falas  inexpressivas e raiva acumulada.
          Foi justamente ao sair para o ponto do ônibus que, deixando a parte nobre, que fomos assistir ao show de "vocação para bizarrices", que quatro adolescentes fizeram questão de apresentar a todos os pedestres, embaixo de um sol de 38°graus.
          Lá estávamos nós, harmonicamente plantadas embaixo da marquise do ponto de ônibus, juntamente com três senhoras. Notei que, fora da sombra, estavam três jovens bonitos: dois rapazes de pele branca, cabelos na moda, roupas despojadas mas na sintonia, e uma moça loira, que mais parecia uma bonequinha. Juntos, eles lembravam uma série teen de tv. Embaladas por nossa conversa, eu e minha irmã deixamos de prestar atenção nas pessoas, ficando atentas, somente, ao ônibus. Foi quando um falatório estranho se iniciou à minha esquerda: "ESPERMA!!!!!!" - perdoem- me os cientistas, mas preciso lançar mão de uma analogia, em detrimento aos meus leitores, - Vai me amarrotar todo, sua maluca! - Soou mais como um berro, desesperado por atenção. A moça, uma linda morena, muito parecida com uma Pussycat dolls,  ainda tentou argumentar o motivo do abraço e do beijo que ela queria dar, mas não conseguiu. Daí, identifiquei o autor do berro - um dos rapazes, por sinal, o mais bonitinho. Ele continuou gritando, dizendo que não queria saber e, se ela continuasse, levaria um "socão". Caros, foi absorta que entendi que o grupo de seriado "teen" eram, na verdade, dois casais, e que os três chegaram primeiro no ponto e ficaram no aguardo da "pussycat". Ainda mais, o bonitinho que gritara era o "namorado" dela, que ficou muito enraivecido com o beijo na boca e o abraço apertado que a "pussycat" tentara dar nele, que estava vestido com uma camisa de malha preta e calças jeans, cabelos negros puxados no gel e all star nos pés. Ele não queria ficar "amarrotado" - era o que repetia todo o tempo, junto com os insultos de maluca, burra e anta - não necessariamente nessa ordem. Motivado pela ira do amigo, o outro rapazinho também começou a distribuir palavras carinhosas para sua bonequinha, sem dispensar os palavrões, distribuídos como coquitéis de festa de gente chique.
          Bem, senhores, como terminou não poderei concluir, pois nosso ônibus chegou e nós embarcamos. Mas, ficou um sentimento estranho no ar: que raio de namorado é esse? que comportamento é esse? Cada um devia ter, no máximo, 17 anos. Eram tão belos... combinavam tanto com o "bosque"... Mas acho que eles não são habitantes de lá... tomara que não... a menos que eles estivessem, de fato, gravando um seriado teen... sendo assim, tomara que tenham me filmado pelo meu melhor ângulo...

Um comentário:

Átila disse...

AHAHAHAHAHAH. Esses meninos não tem a menor noção do que é um relacionamento. Acham que tratando as mulheres assim eles vão se dar bem. E as meninas por sua vez, também aceitam esse tipo de comportamento. Vá entender, né?